A próstata é uma glândula presente apenas nos homens. Localiza-se entre a bexiga e o pênis, envolvendo a uretra interna, com forma arredondada e cerca de 20 a 30 g - o que equivale a um limão pequeno. Sua função principal é a produção de aproximadamente 30% do ejaculado. O líquido prostático junta-se ao das vesículas seminais e aos espermatozóides dos testículos para formar o sêmen.

Há dois problemas importantes que podem afetá-la. O mais frequente é a hiperplasia benigna, que atinge mais de 90% dos homens após os 40 anos, caracterizada pelo aumento da próstata associado a variáveis graus de dificuldade miccional. O outro é o câncer, mais comum após os 50 anos e que não tem nada a ver com o tamanho da glândula.

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, perdendo apenas para os cânceres de pele não melanônicos. A estimativa para 2012 é de mais de 60 mil homens diagnosticados com a doença no Brasil e estatísticas apontam que a cada 15 minutos uma pessoa faleça, vítima da doença, nos EUA.

Não há fatores de risco muito bem definidos. A herança genética é importante: quando o câncer surge antes dos 55 anos, em 40% dos casos é hereditário. Dieta rica em gordura animal parece ter um efeito no aumento do risco da doença. Suplementos como selênio (castanhas), licopeno (tomate) e vitamina E não previnem câncer de próstata. A vitamina E pode aumentar o risco de doença cardiovascular em uso crônico. O selênio, na mesma condição, aumenta o risco de DM. As estatinas (medicamentos prescritos para controle do colesterol) podem reduzir em 30% o risco de câncer de próstata. Ainda como curioso elemento protetor, um estudo com 9.000 indivíduos sugeriu que aqueles com mais de 20 relações sexuais por mês na idade adulta jovem tinham 35% menos risco de câncer de próstata.

Recomenda-se iniciar avaliação periódica aos 40 anos com a dosagem do PSA no sangue. O toque retal é um exame importante, especialmente após os 45 anos, já que o PSA isoladamente pode falhar em até 30% dos casos. Se ao toque houver nodulação ou o exame de sangue estiver elevado, faz-se biópsia. Em caso positivo para câncer, é preciso definir a melhor estratégia de combate.

Os tumores de próstata têm um comportamento diferente de outros cânceres. Eles têm o potencial de disseminação, mas em geral são lentos, leva-se de 8 a 10 anos para haver metástases. Estudos recomendam que não se demore mais que 6 meses entre o diagnóstico e o início do tratamento, mas devido à habitual lentidão com que se espalha as chances de cura são muito grandes quando a doença é descoberta precocemente. Há basicamente duas formas de se tratar: radioterapia ou cirurgia. Um grupo seleto de pessoas (indivíduos mais velhos, com tumor não palpável ao toque, com menos de 30% dos fragmentos positivos na biópsia e células pouco agressivas) pode seguir sem tratamento. É a chamada vigilância ativa. Nesses casos, deve-se fazer PSA a cada 6 meses e biópsia anualmente. Depois de 5 anos, 50% abandonam a vigilância ativa. Desses, metade por estresse e cansaço dos exames periódicos e metade por progressão.

Tanto a cirurgia como a radioterapia são modalidades aceitas para tratamento do câncer de próstata, mas a primeira tem pequena vantagem por propiciar, a longo prazo, maior índice de sobrevida livre da doença. Além disso, caso haja recidiva após cirurgia, há a possibilidade de se indicar radioterapia coadjuvante – restaria uma carta na manga. A cirurgia pós-radioterapia, entretanto, não é recomendável.

O grande drama da maioria dos homens que precisam de tratamento são as sequelas eventuais: incontinência urinária e disfunção erétil. Tais problemas ocorrem tanto na cirurgia quanto na radioterapia. Os índices de perda urinária giram em torno de 3 a 5%, enqaunto aqueles relativos à dificuldade de ereção variam de 15 a 70%. Tanta diferença se dá por inúmeros fatores: idade do paciente, extensão da doença local, obesidade, diabetes, qualidade das ereções antes da cirurgia, habilidade do cirurgião etc.

Os nervos responsáveis pela ereção passam bem próximos à face lateral da glândula prostática. Quando os tumores são descobertos ainda no início, é possível fazer a cirurgia preservando o feixe nervoso e, assim, a ereção. Com o avanço das técnicas, em mãos experientes, e especialmente se as ereções antes da cirurgia são de boa qualidade, as chances de retorno à atividade sexual são grandes. Deve-se ter em mente, entretanto, que o objetivo da cirurgia é primariamente oncológico: a retirada de um tumor cuja permanência põe em risco a vida.

Não se esqueça da prevenção, ainda hoje a melhor arma contra a doença.