Nos últimos anos tem aumentado muito o número de homens que procuram o consultório para avaliação de verrugas genitais. O HPV (human papiloma vírus), responsável por elas, é hoje a doença sexualmente transmissível mais comum. Estima-se que 85% da população sexualmente ativa já tenham apresentado contato com vírus e 30% das mulheres tenham a doença. Até pouco tempo atrás, os homens não estavam incluídos nos programas de prevenção, mas um estudo surpreendeu a comunidade científica mostrando que metade da população masculina pode estar contaminada.

Há mais de 200 tipos de HPV. Nos tipos mais agressivos pode-se ter associação com câncer de colo de útero, reto e orofaringe. Cerca de 4% das mulheres com HPV de alto risco, não tratadas, desenvolvem câncer uterino.

O período de incubação, desde o contato até a eventual manifestação da doença varia de 3 semanas a 8 meses. O HPV produz verrugas, o que chama a atenção rapidamente. Entretanto, algumas vezes as lesões são tão pequenas que passam despercebidas. Além disso, o vírus pode permanecer latente por vários anos, eclodindo muito tempo depois de adquirido. Embora muitas parceiras venham ao consultório furiosas querendo saber há quanto tempo o marido ou namorado contraiu HPV, esse trabalho de detetive é virtualmente impossível: a contaminação pode ter ocorrido há vários anos, mesmo antes do relacionamento atual, permanecendo sem atividade até então.

O diagnóstico é feito por exame clínico, pela coleta de material para captura híbrida (um exame laboratorial que procura DNA viral) e pela peniscopia. Neste último, é aplicado um reagente e o pênis é inspecionado com aparelho óptico de grande aumento.

Uma vez identificada lesão, o tratamento consiste na retirada das verrugas. Isso pode ser feito pela aplicação de ácido, cremes cauterizantes, bisturi elétrico ou laser. Uma vez livre delas, a pessoa deixa de transmitir a doença. Não há cura definitiva, mas alguns trabalhos científicos mostram que as cauterizações podem estimular a eliminação natural do vírus do organismo por resposta imunitária. É fundamental manter seguimento com exames periódicos, queimando novamente qualquer lesão que retorne.

O uso da vacina contra o HPV é indicado em mulheres e, em homens, foi aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration) em outubro de 2009 e pela ANVISA em maio de 2011. Há 2 tipos de vacinas, a quadrivalente (HPV 6,11,16,e,18) e a bivalente (HPV 16 e 18). Essas vacinas conferem proteção contra os vírus citados, os quais são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo do útero (tipos 16 e 18) e 90% dos casos de verrugas (condilomas) genitais (tipos 6 e 11). A indicação é que seja usada em indivíduos entre 9 e 26 anos de idade. Em meninos e meninas, a aplicação é feita em três doses: inicial, com dois e seis meses após. A vacina é bastante segura e após mais de 40 milhões de doses em mulheres jovens nos últimos 5 anos nos EUA, nenhum evento adverso importante foi descrito.