A perda involuntária de urina é muito mais frequente nas mulheres. Nos homens, geralmente ocorre após cirurgias de próstata ou por problemas crônicos como diabetes mellitus ou distúrbios neurológicos. Aproximadamente 45% das mulheres têm algum grau de escape urinário após os 45 anos, mas apenas 15% delas procuram assistência médica.

Há causas transitórias para incontinência: infecções urinárias, particularmente em gestantes e idosas, constipação intestinal, deficiências hormonais e uso de certas drogas. As causas permanentes decorrem de problemas estruturais na pelve e uretra ou no controle de inervação da musculatura da bexiga.

A primeira situação típica é a da urgência miccional. A pessoa queixa-se de desejo súbito e intenso de urinar e por vezes não consegue chegar ao banheiro ou então necessita urinar com frequência excessiva. Isso ocorre quando a musculatura inicia contração antes do tempo: a chamada "bexiga hiperativa". Em condições normais, urinamos de 5 a 7 vezes em um período de 24 horas. É perfeitamente normal urinar uma vez à noite. A cada micção eliminamos entre 300 e 400 ml de urina e a frequência vai depender diretamente do volume de líquido ingerido.

Numa situação normal, durante a fase de enchimento a bexiga deve estar bem relaxada, permitindo o acúmulo de urina. Quando o volume atinge certo limite, é dado sinal ao cérebro que então desencadeia desejo miccional. Só então, sob controle voluntário, inicia-se contração da musculatura vesical permitindo o jato urinário. Na hiperatividade, pequenos volumes já iniciam o processo de contração. As causas são muitas vezes desconhecidas, mas fatores como infecções, diabetes, distúrbios neurogênicos e ansiedade podem contribuir.

A outra situação é aquela na qual se observa escape a esforços físicos: pegar peso, correr, durante o coito ou mesmo em coisas simples como tossir, espirrar ou gargalhar. Toda vez que se faz alguma força cria-se pressão abdominal positiva que é transmitida à bexiga e à uretra. Elas são mantidas em suas posições corretas por um conjunto de ligamentos e músculos. Quando há ruptura ou frouxidão dessas estruturas, a bexiga é deslocada inferiormente e as paredes uretrais não são mais comprimidas quando a pressão aumenta. Apenas a bexiga é comprimida, favorecendo a perda de urina. Além disso, muitas vezes a musculatura própria da uretra, o esfíncter urinário, perde capacidade contrátil e não mais fecha o canal. São problemas estruturais que, quando leves, podem ser corrigidos por fisioterapia. Quando severos necessitam de cirurgia.

A incontinência urinária é um problema extremamente desconfortável e muitas mulheres o sofrem sem saber que há solução - e mais simples do que imaginam. As técnicas cirúrgicas hoje avançaram muito, permitindo intervenções minimamente invasivas e com taxas de sucesso da ordem de 97%. É importante procurar um especialista que possa identificar as causas e indicar o tratamento mais adequado.