A maioria das pessoas já teve algum familiar ou conhecido que sofreu com dores provocadas por cálculos renais. Estima-se que 5 a 10% da população são portadores da doença, que muitas vezes pode passar despercebida.

Embora haja muitos mitos a respeito do assunto, vários fatores podem estar envolvidos na formação dos cálculos renais: história familiar, sexo masculino, exposição a altas temperaturas e baixa umidade (características de boa parte do ano em Brasília), baixa hidratação, excesso de sódio e proteína animal na dieta, sedentarismo, entre outros. Quando dentro dos rins, os cálculos habitualmente são silenciosos. Entretanto, ao migrarem para os ureteres as cólicas são intensas. Isso se deve ao pequeno calibre ureteral, levando a obstrução e impedimento da passagem da urina (vide imagem da anatomia).

Obesidade tem impacto direto na doença. O índice de massa corporal (IMC) é usado para determinar nossa situação em relação ao peso, e é medido em kg/m². Pode-se calcular o IMC dividindo o peso em quilos pela sua altura ao quadrado. Por exemplo: uma pessoa com 1,72m de altura, pesando 90kg teria IMC de 30,5. Um indivíduo saudável tem IMC de 18,5 até 25; de 25 a 30kg/m² a pessoa estaria em sobrepeso; os obesos têm IMC de 30 a 35kg/m². Estudos demonstraram que indivíduos com um IMC maior que 30kg/m² têm o dobro de chance de formar cálculos que aqueles com IMC normal, até 25kg/m².

A dieta tem especial importância. A ingestão de grande quantidade de frutas, vegetais e produtos lácteos com baixo teor de gordura pode reduzir em até 45% o risco de formação de cálculo. Algumas pessoas imaginam que o consumo de leite e derivados deva ser evitado na ocorrência de calculose renal. Na verdade, o cálcio do leite impede a absorção de oxalato pelo intestino, este sim um grande vilão na litíase renal. A recomendação, portanto, é manter a ingestão adequada de derivados do leite. A diminuição do sal consumido reduz em até 51% as pedras nos rins. Por fim, o consumo frequente de refrigerantes leva a um aumento de 30 a 40% na formação de cálculos. É também fundamental aumentar hidratação. Para o bom funcionamento renal e diminuição da formação de pedras, é recomendável beber pelo menos 30 mililitros para cada quilograma de peso, urinando pelo menos 2 litros por dia. Uma pessoa com 80 quilos deveria ingerir pelo menos 2 litros e 400ml de líquidos. Deste volume total metade deve ser água. A outra metade pode ser completada com sucos.

A litíase renal é uma das doenças com mais modalidades de tratamento dentro da urologia.Há desde tratamento clínico com medicação, passando por alternativas menos invasivas como a litotripsia extracorpórea, laserterapia e cirurgia percutânea, até a cirurgia convencional aberta em casos extremos.

Uma vez descoberto o cálculo renal, é indispensável uma avaliação clínica pelo urologista. Ele irá avaliar a necessidade de tratamento, a forma mais adequada de abordagem, identificar os fatores de risco para determinada pessoa e auxiliar na prevenção de futuros episódios. Para informações mais detalhadas, visite nosso blog, interaja e discuta suas dúvidas.

Bibliografia:

J Urol 198, October 2017, number 4, pag 858 a 863

Kidney Int 2005;68:1808

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J Urol vol 198, October 2017, number 4, pag 858 a 863